Rubi – e gema cor de sangue

Posted by on jun 5, 2012 in Galery | 1.202 comments

O Rubi é uma das gemas de maior relevância histórica. Na Bíblia, os Rubis são mencionados ao menos 4 vezes, sendo associados à beleza e sabedoria. Culturas antigas associavam o vermelho do Rubi ao do sangue que corre em nossas veias, e pensavam que essas gemas detinham o poder da vida. Os hindus acreditavam que aqueles que oferecessem belos Rubis ao deus Krishina garantiam o renascimento como imperadores. O Rubi manteve sua importância nas culturas ocidentais, sendo uma das gemas mais apreciadas pela realeza européia e classes mais abastadas, por representar romance, fortuna e sucesso. Não por acaso, o Rubi  se tornou símbolo de paixão, fazendo dele o presente romântico ideal.

 

Rubi - lapidação gota

A palavra Rubi deriva do sânscrito antigo “ratnaraj” ou “rei das pedras preciosas”. Em latim “rubens” quer dizer vermelho. Rubis grandes e de alta qualidade são extremamente raros. A maioria dos Rubis encontrados no mercado são tratados  para melhorar a cor por aquecimento ou tingimento. Rubis de boa qualidade sem serem tratados alcançam os maiores preços por quilate dentre todas as gemas coloridas. A cor é o item mais importante na formação do preço do Rubi. Eles podem variar de vermelho alaranjado à vermelho lilás, mas a cor mais apreciada pelo mercado é vermelho intenso, puro, vívido, conhecido como sangue de pombo ou burma.

Como toda gema que alcança alto valor no mercado e altamente desejada, o Rubi foi muito imitado. Em 1902 o cientista Auguste Verneuil conseguiu sintetizar os primeiros Rubis, além dessa técnica, muitas outras surgiram depois, e ainda hoje se encontram no mercado.

 

Rubi - lapidação redonda

Mogok, Mianmar (antiga Burma) é historicamente a maior fonte de Rubis, com registros de atividades mineradoras datadas de 600 a.C. Desde 1991, Mong Hsu, também em Mianmar, produz a maior parte dos Rubis de qualidade comercial do mundo. Ainda pode-se encontrar Rubis na Tailândia, Afeganistão, Camboja, Quênia, Sri Lanka, Tanzânia, Vietnã e Madagáscar. O maior centro de lapidação do mundo de Rubis está em Chanta Buri, Tailândia, mas quem, mesmo sem produzir uma única gema, detêm o título de maior exportador dos mais finos Rubis é a Suíça, graças aos seus tradicionais leilões de joias. A exemplo da maravilhosa coleção de 70 jóias da brasileira Lilly Safra, leiloadas por cerca de U$ 38 milhões de dólares, quase o dobro do valor original de avaliação (U$ 20 milhões de dólares). O leilão foi realizado na sede da Christie’s em Genebra no último dia 14 de maio. Da coleção, as peças que mais se destacavam era um broche de Rubis feitos por JAR (Joel Arthur Rosenthal) e um anel de Rubi e Diamantes da Chaumet.

 

 

Em 1988 um Rubi Burma de 15,97 cts (quilates) foi vendido por U$3.633.000,00 (três milhões seiscentos e trinta e três mil dólares americanos), ou seja, U$227.000,00 (duzentos e vinte e sete mil dólares americanos) por quilate. Foi o maior valor pago por quilate de um Rubi na história. Em maio de 2000, um anel com um Rubi pesando 9.97cts foi leiloado na Christie’s pelo valor de U$ 2.099.750 (dois milhões noventa e nove mil setecentos e cinquenta dólares americanos).

Alguns Rubis famosos:

1. Rosser Reeves Rubi Estrela (Rosser Reeves Star Ruby)

 

Rubi Rosser Reeves Star

É o maior Rubi estrela de boa qualidade já encontrado. Quase translúcido, com 6 raios de estrela e pesando 138.7cts (quilates). Está exposto no Instituto Smithsonian em Washington, DC. Essa belíssima gema foi encontrada nas minas de Sri Lanka. Tem seu nome graças a Rosser Reeves que o doou ao Instituto.

 

2. Rubi Estrela De Long (De Long Star Ruby)

Rubi Estrela De Long

É um cabochão oval de 100cts exposto no Museu de Historia Natural de Nova Iorque. Martin Ehrmann vendeu essa bela gema à Edith Haggin De Long por U$21.400,00 (Vinte e hum mil e quatrocentos dólares).

 

3. Rubi Edwards (Edwards Ruby)

Assim chamado graças ao Major General Sir Herbert Benjamin, era um Rubi Burma de 167cts doado por John Ruskin em1887 ao Museu de História Natural Britânico.

 

4. Rubi Paz (Peace Ruby)

Rubi de 25 cts (quilates) , pesava 43 cts (quilates) sem lapidar. Gema magnífica encontrada no fim da Primeira Guerra de onde vem seu nome, proveniente das minas de Mogok em 1919. Tinha uma excelente cor sangue de Pombo e completamente pura. Foi comprada por um comerciante indiano de Burma e lapidado em Bombaim. Essa gema foi vendida e comprada diversas vezes nos últimos anos e seu paradeiro é desconhecido.

 

5. Rubi Anne da Bretanha (Anne of Brittany Ruby)

Uma gema linda, mas irregular de 105cts exposta no Louvre de Paris.

 

6. Rubi Maung Lin (Maung Lin Ruby)

Foi um dos maiores Rubis Burma já encontrado em Momeit durante o reinado de Mindon Min entre 1853-78. Uma maravilhosa gema de 400cts de beleza insuperável. Os registros históricos dizem que o proprietário da gema a quebrou em duas, presentando o rei Mingdon Min com uma parte e enviando a outra secretamente para  Calcutá. Quando o rei soube disse ordenou que a outra gema fosse retornada. A segunda gema foi comprada por um enorme valor e retornou à Burma. Essas gemas foram novamente lapidadas ficando uma com 98cts e chamada Nga Mauk e a outra pesando 74cts ficou conhecida como Kallahpyan. Essas gemas foram levadas para a Inglaterra quando os britânicos anexaram a parte norte de Burma.

 

7. Rubi Alan Caplan ou Mogok Rubi (Alan Caplan’s Ruby or Mogok Ruby)

Rubi Alan Caplan

Um Rubi de beleza excepcional, puro, não tratado, pesando 15.97cts. Alcançou o maior preço por quilate da história quando leiloado pela Sothebys. Foi comprado pela Joalheria Graff e posteriormente vendido por uma soma vultuosa ao Sultão de Brunei.

 

Texto: Karyna Sena – joalheira, geóloga e gemóloga formada no G.I.A (Gemological Institute of America)

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